SUICÍDIO

 


 SUICÍDIO

O mundo atual se apresenta cada dia mais desumanizado. Os seres humanos são considerados cada dia menos como seres individualizados. A máquina opressora social (escolas, pequenas ou grandes empresas) exigem resultados. Pouco respeitam a vida privada e pouco se importam com os valores pessoais.

Assim, nos calamos e mostrarmos o melhor de nos mesmos. Encobrirmos nossas dores, banalizamos nossos sofrimentos, escondemos nossos sentimentos e vivemos no silêncio turbulento de nossos afetos. 

Mas quanto tempo podemos driblar com a dor moral, que invade pouco a pouco o nosso sistema psíquico, chegando ao ponto de deteriorar nosso contato com a afetividade interna ao rompimento do Instinto de sobrevivência?

Costumamos pensar que o suicídio só é possível em pessoas com doenças psiquiatras, como por exemplo a esquizofrenia.

SUICÍDIO NÃO É SINÔNIMO DE DEPRESSÃO E NEM DE DOENÇA MENTAL.

De acordo com as estatísticas, apenas de um terço a um quarto dos suicídios correspondem as condições psiquiátricas. Na verdade, a maioria das tentativas de suicídio são provocadas por indivíduos aparentemente ilesos de qualquer problema psicológico ou de uma afecção psiquiátrica caracterizada. Portando, é bem provável que essas pessoas estejam passando por um período depressivo dificilmente identificado, variável de um dia para o outro e voluntariamente ocultado.

A história de cada um é individual porém, as experiências de alegrias, tristezas e frustrações são semelhantes para todos. Situações de ruptura brutal como, a morte de um ente querido, divórcio, fracasso escolar, perda de emprego, assédio, etc., são inerentes à vida humana. Esses fatores são predisponentes ao surgimento de doenças e precipitadores de comportamento auto agressivos. O risco é ainda maior para as pessoas que já cometeram uma tentativa de suicídio anteriormente ou quando existe antecedentes familiares de suicídio.

Embora o ato suicidário seja muitas vezes imprevisível podemos notar pequenos sinais. Tristeza excessiva, agitação, ansiedade, raiva, sentimento de culpa, desânimo, falta de propósito na vida, pensamentos obsessivos de negatividade, sentimento de solidão, isolamento social, desapego e ameaças de suicídio. Infelizmente estes sentimentos não são bem-vistos perante a sociedade e por medo ou preconceito, a pessoa vai tentar dissimulá-los tornando-os assim mais difícil de detectar o perigo.

A tentativa de suicídio não é um ato de coragem nem muito menos de fraqueza ou covardia. É um ato de desespero, de dor moral intensa, de sofrimento profundo, cujo sujeito, muitas vezes não tem consciência da origem. Na maioria dos casos, a morte, propriamente dita, não é o objetivo mas, colocar um fim ao sofrimento que se revelou insuportável.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa comete suicídio a cada 4 segundos no mundo. Esse fenômeno atinge homens, mulheres, jovens de qualquer classe social, idade e orientação sexual. Nos deparamos com um número exorbitante e ainda assim, continuamos a fechar os olhos ao sofrimento alheio. Continuamos a ter preconceito, julgamentos e falsas crenças que pessoas sem depressão não tentam suicídio ou, quem vai cometer não fala sobre o assunto.

As estradas da vida se diferem mas, ela se dividem em um mesmo espaço. Muitas vezes os caminhos da vida se apresentam tortuosos e mesmo assim deveremos enfrentá-los. Ao longo das nossas caminhadas, nossas mentes experimentarão uma grande variabilidade de emoções. Os sinais estarão presentes mas quem estará lá para detectá-los e escutá-los?

Fala, conversa, peça ajuda, se possível para um profissional. Saia do Silêncio ensurdecedor. Escutar a si mesmo e ao outro é uma honra.

Tudo aquilo que não é dito poderá um dia se exteriorizar de maneira imprevisível, inesperada e as vezes de forma Irreversível.


Por Claudia Bossi Bigard – Belo Horizonte, abril de 2021






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